22 de agosto de 2014

Por ler atentamente Gênesis, derivará grande benefício deste relato emocionante de fé, esperança e coragem. Nisso, porém, talvez tenha perguntas. Algumas dessas perguntas talvez sejam respondidas ao examinarmos mais de perto o livro inicial da Bíblia.

O MUNDO ANTEDILUVIANO

1:26 — De que modo foi o homem feito à imagem e semelhança de Deus?
O homem desconhece a forma de Deus. (Deuteronômio 4:15-20) Mas o homem foi feito à imagem e semelhança de Jeová no sentido de que foi criado com atributos de Deus tais como justiça, sabedoria, poder e amor. (Deuteronômio 32:4, Jó 12:13; Isaías 40:26; 1 João 4:8) Visto que o Filho de Deus, a Palavra, também possui essas qualidades Jeová disse-lhe apropriadamente: “Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança.”João 1:1-3, 14.

● 6:6 — Em que sentido “deplorou” Jeová ter feito os homens?
A palavra hebraica aqui traduzida por “deplorou” refere-se a uma mudança de atitude ou intenção. Jeová é perfeito, e por isso não cometeu engano ao criar o homem. Mas ele mudou de atitude mental para com a iníqua geração antediluviana. Deus mudou da atitude de Criador dos homens para o de destruidor deles, porque se desagradou da iniqüidade deles. Jeová lastimava que a iniqüidade do homem exigisse uma grande destruição de vidas, mas via-se obrigado a agir, a fim de manter suas normas justas. Ter ele preservado alguns humanos mostra que sua deploração se limitou àqueles que se haviam tornado maus em palavras e em atos. — 2 Pedro 2:5, 9.


A HUMANIDADE ENTROU NUMA NOVA ERA

8:11 — Se as árvores foram arruinadas pelo Dilúvio, onde obteve a pomba a folha de oliveira?
Sem dúvida, as águas do Dilúvio afetaram adversamente muitas árvores. Mas, o filósofo e cientista grego Teofrasto e o naturalista romano Plínio, o Velho, relataram que a oliveira tem crescido debaixo da água do Mar Vermelho, até mesmo retendo o seu verdor ali. De modo que é possível que uma oliveira continuasse viva debaixo da água por alguns meses durante o Dilúvio. Com o rebaixamento das águas do Dilúvio, uma oliveira submersa ficaria novamente em solo seco e poderia produzir folhas, uma das quais poderia ter sido facilmente apanhada pela pomba.

● 9:24, 25 — Por que amaldiçoou Noé a Canaã, quando o ofensor era Cã?
É bem provável que Canaã fosse culpado de algum abuso ou perversão contra a pessoa de seu avô Noé, e que Cã presenciasse isso sem interferir. Em vez disso, parece que Cã, filho de Noé, espalhou a história, ao passo que Sem e Jafé agiram para cobrir seu pai. Portanto, eles foram abençoados sendo o provável perpetrador Canaã amaldiçoado, e o observador e tagarela Cã sofreu pela vergonha lançada sobre a sua prole. Embora as Escrituras não fornecem todos os pormenores, o ponto importante é que Jeová fez com que Noé proferisse a profecia e Deus causou seu cumprimento, quando os cananeus que não foram destruídos pelos israelitas foram sujeitos à servidão aos descendentes de Sem. — Josué 9:23; 1 Reis 9:21.

10:25 — Como foi “dividida” a terra nos dias de Pelegue?
Pelegue viveu de 2269 a 2030 AEC. Seu nome significa “divisão”, e se ele recebeu o nome ao nascer, então era profético duma notável divisão que ocorreu durante a sua vida. Foi então que “foi dividida a terra [ou a “população da terra”]”. O registro bíblico indica que foi “nos seus dias” que Jeová causou uma grande divisão por confundir a língua dos construtores de Babel e ‘os espalhou por toda a superfície da terra’. — Gênesis 11:9; veja também 10:1, 6, 8-10; 11:10-17.


PATRIARCAS COM FÉ INABALÁVEL

● 15:13 — Como se cumpriu a predita aflição de 400 anos para os descendentes de Abrão?
Este período de aflição estendeu-se de 1913 a 1513 AEC. Quando Isaque, filho de Abraão, foi desmamado aproximadamente aos 5 anos de idade, em 1913 AEC, seu meio-irmão Ismael (então com cerca de 19 anos) ‘caçoava’ dele. A seriedade desta caçoada do herdeiro de Abraão se torna clara da reação de Sara e da aprovação, por Jeová, de sua insistência em que Agar e seu filho Ismael fossem mandados embora. (Gênesis 21:8-14; Gálatas 4:29) Este período de aflição de 400 anos terminou com a libertação dos israelitas da servidão egípcia, em 1513 AEC.

● 19:30-38 — Fechou Jeová os olhos à embriaguez de Ló e a ele gerar filhos com suas duas filhas?
Jeová não fecha os olhos nem ao incesto nem à embriaguez. (Levítico 18:6, 7, 29; 1 Coríntios 6:9, 10) Além disso, Ló, sobrinho de Abraão, deplorava as ‘ações contra a lei’ dos habitantes de Sodoma e evidentemente lamentou a conduta errada em que ele mesmo ficou envolvido, porque o Examinador de corações considerou-o como “justo”. (2 Pedro 2:8) O mero fato de que as filhas de Ló o embriagaram já sugere que se davam conta de que ele não consentiria em ter relações sexuais com elas enquanto sóbrio. Mas, visto que eram forasteiros no país, suas filhas achavam que esta era a única maneira de impedir a extinção da linhagem de Ló. O relato consta na Bíblia não para suscitar pensamentos eróticos, mas para revelar a relação dos moabitas e dos amonitas com os descendentes de Abraão, os israelitas.

● 28:12, 13 — Qual era o significado do sonho de Jacó a respeito duma “escada”?
Esta “escada” (que pode ter tido o aspecto duma escadaria de pedras) indicava que há uma comunicação entre a terra e o céu. Mostrava que anjos ministram entre Jeová e os humanos que têm a sua aprovação. — Veja João 1:51.

● 31:19 — O que eram os terafins que Raquel furtou de Labão?
Os terafins eram deuses ou ídolos domésticos. Descobertas arqueológicas na Mesopotâmia indicam que a posse de tais imagens tinha relação com quem recebia a herança da família. É possível que Raquel tivesse isso em mente e raciocinasse que ela tinha justificativa para tomar os terafins, por causa dos tratos enganosos de seu pai Labão com o seu marido Jacó. (Gênesis 31:14-16) Mas não há nenhum indício de que Jacó tentasse alguma vez usar os terafins para obter a herdade da família. O mais tardar, esses ídolos foram eliminados quando Jacó enterrou todos os deuses estrangeiros entregues a ele pelos de sua casa. — Gênesis 35:1-4.

● 44:5 — Usava José realmente um cálice para interpretar presságios?
José estava decidido a testar seus irmãos, que não o reconheceram. Por isso, ordenou que seu servo enchesse as sacas deles com alimentos, colocando o dinheiro de cada um na boca de sua saca e o cálice de prata de José na boca da saca de Benjamim. Em tudo isso, José se fazia parecer como administrador dum país pagão. Portanto, o cálice e o que se dizia sobre ele faziam evidentemente parte dum subterfúgio. Sendo adorador fiel de Jeová, José realmente não usava o cálice para interpretar presságios, assim como Benjamim tampouco o furtara.

● 49:10 — Há uma diferença entre um cetro e um bastão de comandante?
Sim. O cetro é um bastão empunhado por um governante como símbolo de sua autoridade régia. O bastão de comandante é uma vara comprida que serve de símbolo do poder de comando. A referência de Jacó a ambos evidentemente indicava que a tribo de Judá exerceria significativa autoridade e poder até à chegada de Siló. Este descendente de Judá é Jesus Cristo, aquele a quem Jeová entregou o governo celestial. Cristo exerce autoridade régia e tem o poder de comando. — Salmo 2:8, 9; Isaías 55:4; Daniel 7:13, 14.


BASE PARA FÉ, ESPERANÇA E CORAGEM

É evidente que Gênesis nos provê uma base para fé, esperança e coragem. Inspira fé em Jeová e esperança no prometido “descendente” de bênção. (Gênesis 3:15; 22:18) Este livro ajuda-nos também a enfrentar o futuro com coragem, assim como fizeram as primitivas testemunhas de Jeová.
Aqueles servos de Deus procuravam “alcançar um lugar melhor, . . . um pertencente ao céu”, e Jeová “aprontou para eles uma cidade”. (Hebreus 11:15, 16) Assim como eles aguardavam o arranjo do Reino, que nós, também, tenhamos confiança nele. E, iguais àquelas testemunhas de Jeová, tenhamos verdadeira fé, esperança e coragem.






Trata-se de Dificuldades Reais?

▪ Onde obteve Caim a sua esposa? (Gênesis 4:17)
Talvez se pense que, depois de Abel ter sido assassinado, sobravam na Terra apenas seu irmão culpado, Caim, e os pais, Adão e Eva. No entanto, Adão e Eva tiveram muitos filhos. Segundo Gênesis 5:3, 4, Adão teve um filho chamado Sete. O relato acrescenta: “Os dias de Adão, depois de gerar Sete, vieram a ser oitocentos anos. Entrementes ele se tornou pai de filhos e de filhas.” Portanto, Caim casou-se com uma das suas irmãs ou talvez com uma das suas sobrinhas. Visto que a humanidade estava naquele tempo tão perto da perfeição humana, tal casamento evidentemente não apresentava nenhum dos riscos de saúde que hoje põem em perigo a descendência de uma união desse tipo.

Quem vendeu José ao Egito?
Gênesis 37:27 diz que os irmãos de José decidiram vendê-lo a alguns ismaelitas. Mas o próximo versículo declara: “Passavam então homens, mercadores midianitas. Portanto, [os irmãos de José] puxaram e levantaram José para fora da cisterna, e venderam então José aos ismaelitas por vinte moedas de prata. Estes, por fim, levaram José ao Egito.” Foi José vendido a ismaelitas ou a midianitas? Ora, os midianitas podem também ter sido chamados de ismaelitas, com quem eram aparentados através do seu antepassado Abraão. Ou os mercadores midianitas podem ter viajado numa caravana ismaelita. De qualquer modo, os irmãos de José o venderam, e mais tarde ele podia dizer-lhes: “Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito.” — Gênesis 45:4.

▪ Quantos israelitas morreram por terem relações imorais com mulheres moabitas e por se envolverem na adoração do Baal de Peor?
Números 25:9 declara: “Os que morreram do flagelo [da parte de Deus, por causa da conduta iníqua deles] somaram vinte e quatro mil.” No entanto, o apóstolo Paulo disse: “Nem pratiquemos a fornicação, assim como alguns deles [dos israelitas no ermo] cometeram fornicação, só para caírem, vinte e três mil deles, num só dia.” (1 Coríntios 10:8) O número dos mortos talvez fosse entre 23.000 e 24.000, de modo que qualquer destas cifras seria satisfatória. No entanto, o livro de Números indica especialmente que “todos os cabeças do povo” envolvidos neste pecado foram mortos por juízes. (Números 25:4, 5) Pode ter havido 1.000 destes “cabeças” culpados, perfazendo o total de 24.000, quando acrescentados aos 23.000 mencionados por Paulo. Ao passo que aparentemente 23.000 foram vítimas diretas do flagelo da parte de Deus, todos os 24.000 sofreram o flagelo de Jeová porque cada um deles morreu sob o Seu decreto de julgamento adverso. — Deuteronômio 4:3.

▪ Visto que Agague era contemporâneo do rei israelita Saul, não constitui uma discrepância a referência muito anterior de Balaão a um governante amalequita do mesmo nome?
Por volta de 1473 AEC, Balaão predisse que um rei de Israel seria “mais elevado do que Agague”. (Números 24:7) Não há nenhuma referência subseqüente a Agague até o reinado do Rei Saul (1117-1078 AEC). (1 Samuel 15:8) No entanto, não se trata duma discrepância, porque “Agague” pode ter sido um título régio, similar ao de Faraó no Egito. É também possível que Agague fosse um nome pessoal usado repetidas vezes por governantes amalequitas.

▪ Quem induziu Davi a fazer uma contagem dos israelitas?
O Segundo de Samuel 24:1 declara: “Novamente veio a acender-se a ira de Jeová contra Israel, quando se instigou Davi [ou: “quando Davi foi instigado”, nota] contra eles, dizendo: ‘Vai, faze a contagem de Israel e de Judá.’” Mas não foi Jeová quem induziu o Rei Davi a pecar, porque 1 Crônicas 21:1 diz: “Satanás [ou: “opositor”, nota] passou a pôr-se de pé contra Israel e a instigar Davi a recensear Israel.” Deus se desagradava dos israelitas e por isso permitiu que Satanás, o Diabo, os induzisse a esse pecado. Por este motivo, 2 Samuel 24:1 reza como se o próprio Deus o tivesse feito. É interessante que a tradução de Joseph B. Rotherham reze: “Acendeu-se a ira de Iahweh contra Israel, de modo que deixou Davi ser induzido contra eles, dizendo: Vai, conta Israel e Judá.

▪ Como se podem harmonizar os números diferentes dos de Israel e dos de Judá na contagem de Davi?
Em 2 Samuel 24:9, dá-se o número de 800.000 para os de Israel e de 500.000 para os de Judá, ao passo que 1 Crônicas 21:5 dá o número dos combatentes de Israel como 1.100.000 e os de Judá como 470.000. Os efetivos alistados no serviço real eram 288.000 soldados, divididos em 12 turmas de 24.000, cada turma servindo um mês durante o ano. Havia adicionalmente 12.000 a serviço dos 12 príncipes das tribos, perfazendo o total de 300.000. Pelo que parece, os 1.100.000 de 1 Crônicas 21:5 incluem estes 300.000 já alistados, ao passo que 2 Samuel 24:9 não os inclui. (Números 1:16; Deuteronômio 1:15; 1 Crônicas 27:1-22) No que se refere a Judá, 2 Samuel 24:9 parece incluir 30.000 homens dum exército de observação destacado nas fronteiras filistéias, mas não incluídos no número em 1 Crônicas 21:5. (2 Samuel 6:1) Se lembrarmos que 2 Samuel e 1 Crônicas foram escritos por dois homens com pontos de vista e objetivos diferentes, podemos facilmente harmonizar estes números.

▪ Quem foi o pai de Sealtiel?
Certos textos indicam que Jeconias (o Rei Joaquim) foi o pai carnal de Sealtiel. (1 Crônicas 3:16-18; Mateus 1:12) Mas o evangelista Lucas chamou Sealtiel de “filho de Néri”. (Lucas 3:27) Parece que Néri deu sua filha a Sealtiel por esposa. Visto que os hebreus costumavam referir-se ao genro como filho, especialmente nas listas genealógicas, Lucas podia corretamente chamar Sealtiel de filho de Néri. De modo similar, Lucas chamou José de filho de Eli, o qual realmente foi o pai de Maria, esposa de José. — Lucas 3:23.



Como Deve Encarar Estes Assuntos?

Quando encontramos aparentes discrepâncias na Bíblia, convém reconhecer que as pessoas muitas vezes dizem coisas que parecem contraditórias, mas que são facilmente explicadas ou entendidas. Por exemplo, um empresário talvez se corresponda com alguém por ditar uma carta à sua secretária. Se interrogado, diria que ele enviou a carta. Mas, visto que foi a secretária que datilografou e enviou a carta, essa poderia dizer que foi ela quem a enviou. De modo similar, não era contraditório Mateus (8:5) dizer que um oficial do exército veio pedir um favor a Jesus, ao passo que Lucas (7:2, 3) disse que o homem enviou representantes.
Os exemplos mencionados mostram que as dificuldades bíblicas podem ser resolvidas. Portanto, há bons motivos de se ter uma atitude positiva para com as Escrituras. Tal espírito foi recomendado nas seguintes palavras publicadas em inglês numa Bíblia de família, no ano 1876:
“O espírito correto com que se deve encarar essas dificuldades é o de removê-las tanto quanto for praticável, e apegar-se e sujeitar-se à verdade, mesmo que não se possa eliminar dela toda sombra. Devemos imitar o exemplo dos apóstolos que, quando alguns dos discípulos se ofenderam com o que chamaram de ‘discurso duro’, a ponto de abandonar Cristo, silenciaram toda objeção com o seguinte: ‘Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos certeza de que Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.’ . . . Quando vemos uma verdade aparentemente em conflito com outra verdade, procuremos conciliá-las e mostrá-las assim conciliadas a todos.” — João 6:60-69.
Adotará você tal atitude? Espera-se que, depois de ter examinado uns poucos exemplos que demonstram a harmonia das Escrituras, concorde com o salmista, que disse a Deus: “A substância da tua palavra é a verdade.” (Salmo 119:160) As Testemunhas de Jeová adotam este conceito referente à Bíblia inteira e de bom grado apresentarão os motivos para a sua fé nela. Por que não considera com elas este livro sem igual? A animadora mensagem dela pode muito bem enchê-lo de verdadeira esperança e felicidade. 

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